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Ponto de equilíbrio da ótica: quanto vender por mês

Como calcular o faturamento mínimo da sua ótica, quantos óculos isso significa por dia e o que mais mexe nesse número, com um exemplo completo em reais.

6 min de leitura
Neste artigo
  1. A fórmula
  2. Parte 1: as despesas fixas
  3. Parte 2: a margem de contribuição
  4. A conta
  5. Traduzindo para óculos e para dias
  6. E o lucro?
  7. O que mexe no ponto de equilíbrio
  8. Três erros comuns
  9. E as parcelas de empréstimo?
  10. Como acompanhar no dia a dia
  11. No LinceIA

"Quanto a loja precisa vender para pagar as contas?" É a pergunta mais importante de uma ótica, e muita gente responde de cabeça. Às vezes a resposta está certa. Muitas vezes, está bem abaixo da real.

O número tem nome: ponto de equilíbrio. É o faturamento em que a loja não tem lucro nem prejuízo. Abaixo dele, o mês fecha no vermelho. Acima, cada venda começa a sobrar.

Calcular leva meia hora, uma vez. Depois, é só atualizar quando algo muda.

A fórmula

Ponto de equilíbrio = despesas fixas ÷ margem de contribuição %

São só duas partes. Vamos montar cada uma.

Parte 1: as despesas fixas

Despesas fixas são as que a loja paga todo mês, vendendo muito ou pouco. Um exemplo de ótica pequena:

Despesa Por mês
Aluguel e condomínio R$ 4.500
Salários e encargos da equipe R$ 9.800
Retirada do dono (pró-labore) R$ 5.000
Contador R$ 800
Energia e água R$ 600
Internet e telefone R$ 250
Sistemas e assinaturas R$ 400
Marketing R$ 800
Outras (limpeza, material, manutenção) R$ 850
Total R$ 23.000

Dois cuidados:

  • Coloque a sua retirada. Se o dono não entra na conta, o ponto de equilíbrio diz que a loja empata quando, na verdade, o dono está trabalhando de graça.
  • Use a média, não o mês bom. Despesas que vêm uma vez por ano (IPTU, 13º, férias) entram divididas por 12.

Parte 2: a margem de contribuição

É o que sobra de cada venda depois de pagar tudo o que cresce junto com ela: o custo do produto, o imposto, a taxa da maquininha e a comissão. É esse dinheiro que paga as despesas fixas.

No exemplo, de cada R$ 100 vendidos:

Linha De cada R$ 100
Venda R$ 100,00
Custo das mercadorias (armação, lente, laboratório) − R$ 38,00
Imposto (Simples, alíquota efetiva) − R$ 7,20
Taxa da maquininha (média) − R$ 4,60
Comissão − R$ 5,00
Margem de contribuição R$ 45,20

Ou seja, 45,2%.

Se você não sabe o custo das mercadorias em percentual, some o que pagou em armações vendidas, lentes e laboratório num mês, e divida pelo faturamento do mesmo mês. Os artigos sobre margem de lucro em ótica e taxa da maquininha ajudam a chegar nos outros percentuais.

A conta

23.000 ÷ 0,452 = R$ 50.885 por mês

Essa ótica precisa faturar cerca de R$ 50.900 por mês só para empatar.

Para calcular com os seus números, use a calculadora de ponto de equilíbrio da ótica.

Traduzindo para óculos e para dias

R$ 50.900 é um número abstrato. Fica mais útil quando vira algo que a equipe enxerga.

Em vendas. Com um ticket médio de R$ 650:

50.885 ÷ 650 = 78,3 → 79 vendas por mês

Em vendas por dia. Com 25 dias de loja aberta no mês:

79 ÷ 25 = 3,2 vendas por dia

Esse é um número que dá para colocar na parede: pelo menos três vendas por dia, todo dia, só para pagar as contas.

Em dias do mês. Se a loja fatura R$ 60.000 por mês, ou R$ 2.400 por dia aberto:

50.885 ÷ 2.400 = 21,2 → no 22º dia aberto

Nos primeiros 21 dias, a loja trabalha para pagar o fixo. Só os últimos dias do mês são lucro. Essa visão muda a forma como se olha para um dia fraco no fim do mês.

E o lucro?

Acima do ponto de equilíbrio, cada R$ 100 vendidos deixam R$ 45,20. Com R$ 60.000 de faturamento:

(60.000 − 50.885) × 0,452 = R$ 4.120 de lucro

Ou, pelo outro lado: 60.000 × 45,2% = R$ 27.120 de margem, menos R$ 23.000 de despesas fixas = R$ 4.120.

A distância entre o faturamento e o ponto de equilíbrio se chama margem de segurança:

(60.000 − 50.885) ÷ 60.000 = 15%

Essa loja aguenta uma queda de 15% nas vendas antes de entrar no prejuízo. Um mês ruim de verdade já passa disso.

O que mexe no ponto de equilíbrio

Pequenas mudanças fazem uma diferença grande. Alguns exemplos com os números acima:

Um desconto médio de 5%. A venda de R$ 100 vira R$ 95, mas o custo da mercadoria continua R$ 38. A margem cai para 43,2%, e o ponto de equilíbrio sobe para R$ 53.240. São R$ 2.350 a mais de faturamento por mês só para compensar o desconto.

R$ 1.000 a mais de aluguel. As despesas fixas vão para R$ 24.000, e o ponto de equilíbrio sobe para R$ 53.100. Cada R$ 1 de despesa fixa a mais pede uns R$ 2,20 de faturamento.

Mais vendas em 10 vezes. Se a taxa média da maquininha sobe de 4,6% para 6%, a margem cai para 43,8%, e o ponto de equilíbrio vai para R$ 52.500.

Ticket médio maior. Não muda o ponto de equilíbrio em reais, mas reduz o número de vendas para chegar nele. Com ticket de R$ 750 em vez de R$ 650, bastam 68 vendas por mês em vez de 79. Antirreflexo, segundo par e acessórios fazem esse trabalho.

Três erros comuns

1. Esquecer a retirada do dono. A conta fecha, mas o dono não recebe.

2. Usar o markup em vez da margem de contribuição. Quem multiplica o custo por 3 não tem 66% para pagar o fixo. Depois do imposto, da maquininha e da comissão, sobra bem menos. Usar o número errado faz o ponto de equilíbrio parecer muito mais baixo do que é.

3. Calcular uma vez e nunca mais. Aluguel reajusta, a equipe muda, a alíquota do Simples sobe com o faturamento. Refaça a conta a cada seis meses, ou quando uma despesa grande mudar.

E as parcelas de empréstimo?

A parcela de um empréstimo ou do financiamento de equipamentos não é despesa no sentido contábil, mas sai do caixa todo mês. Se a loja tem esse tipo de compromisso, faça duas contas: a do ponto de equilíbrio com as despesas fixas, e outra somando as parcelas. A segunda é o faturamento que o caixa precisa para não faltar dinheiro.

Como acompanhar no dia a dia

Saber o número uma vez já ajuda. Acompanhar durante o mês ajuda mais:

  • Meta diária: o ponto de equilíbrio dividido pelos dias abertos. No exemplo, cerca de R$ 2.040 por dia.
  • Acumulado do mês: até o dia 15, a loja deveria ter vendido perto de metade do ponto de equilíbrio. Se não vendeu, ainda dá tempo de agir.
  • Margem real no fim do mês: confira se os 45,2% se confirmaram, ou se descontos e parcelamentos comeram parte dela.

No LinceIA

O LinceIA não mostra o ponto de equilíbrio pronto, mas mostra as peças da conta. As despesas fixas são lançadas em Despesas, por categoria. O DRE mostra, mês a mês, a receita líquida, o custo das mercadorias, as taxas de cartão, as despesas operacionais e o resultado, com o percentual de cada linha sobre a receita. E o Painel mostra as vendas do mês enquanto ele acontece.

Com essas peças, a conta deste artigo deixa de ser uma estimativa e passa a usar os números reais da sua loja.